Osvaldo Manoel Neto

Endereço:
Morro do Soares
Estrada Geral
Ermo, Santa Catarina 88.935-000
Brasil
fone:
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celular:
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Descrição

Ao chegar à residência do senhor Osvaldo Manoel Neto nossa equipe de campo foi recepcionada por uma senhora que nos encaminhou para dentro da casa, acrescentando que tomava conta de “Seu Osvaldo”. Dentro da casa viemos entender o teor daquela frase e fomos tomados de uma triste surpresa ao encontrarmos um homem combalido sentado a uma cadeira de rodas sem proferir palavras, apenas sorrindo com seus tristes olhos azuis. Soubemos mais tarde de que nosso personagem estava acometido de Mal de Parkinson e logo pudemos detectar que sua memória estava bastante comprometida.

Pouco tempo depois, chamado pela anfitriã que nos recebera, surge seu filho Marcio que com muito boa vontade nos auxilia a coletar mais informações sobre aquele homem que ajudou a escrever a mais importante página do município do Ermo como Vice-Prefeito da eleição histórica de 1997.

Algumas informações básicas – como data de nascimento, filiação e naturalidade - havíamos conseguido através da cédula de identidade do senhor Osvaldo, antes mesmo de seu filho chegar. Mas, mesmo que pudesse lembrar e falar não estivesse impossibilitado pela memória – creio que não o faria. Havia um que de mágoa oculta por detrás daquele olhar singelo, que talvez não quisesse recordar na história vivida naquele período ocorrido ao final da década de 90. Outro fator que pesava também era o fato de sua esposa Rosalina Gobatto Neto encontrar-se hospitalizada.

Instantes depois pôs-se a falar para nossos pesquisadores o senhor Marcio Honorato Neto sobre os principais aspectos da vida pessoal, profissional e pública de seu pai.

Filho de Manoel Honorato Neto e Virginia Maria Neto, Osvaldo nasceu a 20 de outubro de 1929 na região do Ermo, distrito de Turvo que mais tarde viria se tornar município. Na verdade fora ele o filho mais velho de treze irmãos que tinha imenso prazer em auxiliar seus pais nas árduas lidas do campo, também cuidando dos irmãos mais novos. Desde pequeno com aproximadamente oito anos de idade ajudou muito a seus pais na agricultura, onde plantavam diversos tipos de cultura e criavam porcos e gado bovino. Tais terras ficavam na localidade de Taquaruçu dentro do Ermo. Essa atividade se estendeu até completasse 20 anos de idade porque, aproveitando-se de uma ótima oportunidade profissional veio ser contratado no ano de 1949 para trabalhar para uma das mais fortes fumageiras do país a Souza Cruz S/A.

Segundo informações Osvaldo era uma pessoa muito querida não somente pelos amigos e parentes, mas principalmente pelos plantadores de fumo de toda região, onde como instrutor de fumo, tornou-se imensamente conhecido. Osvaldo gostava muito dessa atividade profissional e mesmo após aposentar-se – 30 anos na mesma empresa – viria plantar e manter seis estufas de fumo com uma forte produção. Márcio se recorda que o pai trabalhava na profissão se utilizando de uma bicicleta e que com ela chegou a percorrer inúmeros municípios vizinhos como Praia Grande, Timbé do Sul, Boa Vistinha e Campinho; a serviço da Souza Cruz. Da bicicleta para a lambreta, da lambreta para um Motor ciclo e depois uma Motocicleta com o brasão da companhia. Em seguida passou a dirigir um Jeep, um Fusca 1200 e outro modelo denominado de Fafá.

Homem de fabulosa compleição física natural, e pelas peculiares condições de seu trabalho no inicio de carreira profissional, Osvaldo tinha bom preparo físico, resistência e pulmões. Por tal motivo foi convidado a jogar na meia cancha do Esporte Clube Brasil vindo a participar de todos os campeonatos possíveis até se aposentar da bola. No auge de sua carreira esportiva recebeu convite do goleiro Castilho para jogar no Internacional de Porto Alegre, mas não tinha intenção de deixar sua terra e seu trabalho. Osvaldo era muito popular e envolvido com as questões sociais. Integrou por anos como membro da Diretoria do Sindicato de Trabalhadores Rurais do Turvo. Foi um dos sócio-fundadores da COPERSULCA – Cooperativo Sul Catarinense e da CERSUL – Cooperativa de Energia Sul Catarinense, fazendo parte de sua diretoria. Foi membro da CAEP da Capela de São Miguel e compôs a diretoria da APP da Escola Básica Estadual Pedro Simon.

O casal Osvaldo Manoel Neto e Rosalina Gobatto Neto gerou seis filhos: Joacir, Moacir, Marcio, Eloisa, Roseli e Azarias, para alegria de todos e foram educados dentro daqueles habituais conceitos de cidadania e honradez que sempre identificou a família.

Márcio se lembra do início de seu pai na vida política; mas ressalva que o avô Manoel Honorato como homem de muita dignidade e respeitabilidade foi o precursor da família a desenvolver atividades públicas, a tal ponto de ser conduzido ao cargo de inspetor de quarteirão (agente do Estado que atuava como segurança para patrulhar a rua de um bairro ou um quarteirão). Logo em seguida viria seu tio, irmão do entrevistado, Orivaldo Honorato que havia ocupado há tempos uma cadeira no legislativo da cidade do Turvo. Outro irmão o senhor Alvaci Manoel Leonardo foi vereador também pelo município de Turvo na legislatura 1983/1988 e anda o filho Joacir José Neto, vereador pelo mesmo município na legislatura de 1993/1996. Desde a origem sua família sempre se alinhava à filosofia do antigo PSD vindo a homologar toda mudança que a sigla sofreu através dos tempos, tais como: ARENA, PDS, PPB e PP, tendo desta feita nosso entrevistado percorrido naturalmente o mesmo caminho.

Osvaldo era muito estimado pelos moradores da região. Muito antes de ser candidato sempre tratou com muita educação e respeito a todos os moradores, independente de serem ou não clientes da empresa que trabalhara, contudo fato que o tornaria inesquecível foi quando orientou e encaminhou ele próprio, inúmeras aposentadorias de agricultores e agricultoras que vieram conseguir o benefício graças aos seus cuidados. Foi com estes ingredientes que seu nome veio naturalmente para compor a chapa majoritária da histórica eleição pós emancipatória do Ermo. Havia um clamor popular para que ele fosse a cabeça da chapa como candidato a Prefeito, mas por intervenção do ex-prefeito de Turvo Ari Pessi e outros políticos da região, concordou a ser um candidato de consenso para vice-prefeito.

A história daquelas eleições viveu momentos emocionantes na residência do senhor Antonio Acordi (vide biografia no site de Ermo) em que além de Osvaldo, havia também certa preferência pelo senhor João Moro, que resistiu à candidatura em função de fazer uma consulta a seus familiares. Mas o tempo para registro da chapa se restringia há dois dias e a decisão deveria ser tomada ali naquele momento e graças à conciliação do senhor Acordi foi composta a chapa única e vencedora com 98% dos votos com: Altamiro Schmidt para Prefeito e Osvaldo Manoel Neto para Vice-Prefeito.

A Administração Schmidt/Neto teve grande sucesso em todos os eventos realizados porque deu a básica infra-estrutura da qual o município se beneficia até os dias de hoje. Contudo algo difícil de registrar é o relato de pessoas que afirmam o fato de que Osvaldo não pôde assumir a prefeitura sequer por um único dia nos quatro anos de mandato. Antes de se enfermar nesta última eleição visitou inúmeras famílias conhecidas para pedir seu voto e foi recebido com extrema cordialidade e saudosismo.